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segunda-feira, 27 de outubro de 2014

A escola pública já foi boa

Meu pai era negro, não tinha o nome do pai na certidão de nascimento, morava na Baixada Fluminense, era pobre, estudou em escolas públicas, trabalhou desde cedo e se formou em Odontologia e Medicina estudando em Universidades Públicas (UFF e UFRJ). Isso numa época em que não havia lei sobre discriminação racial e ninguém dizia que "black is beautiful". Isso foi possível além da tenacidade e inteligência dele, porque a escola pública oferecia um ensino de qualidade, preparando o aluno menos favorecido financeiramente para competir em iguais condições com os mais bem nascidos. 

Enfraquecer as escolas públicas, desmerecer os professores em termos salariais, e criar cotas não resolve o problema educacional. Cria sim, uma falsa realidade. É o que penso. Se a escola pública fosse boa, como já foi, todos teriam as mesmas oportunidades. Não investir numa educação de base de qualidade e incentivar a criação de cotas é dizer nas entrelinhas que aquelas pessoas não merecem o investimento pois não são capazes de acompanhar o ritmo. É dizer que precisam de um "empurrãozinho" pois, de alguma forma, lhes falta capacidade intelectual. Isso NÃO É verdade! 

Dê uma boa escola desde a base e a pessoa poderá caminhar com suas próprias pernas, sem precisar de caridade. Agora, é claro que enquanto o ensino oferecido pelo governo for de péssima qualidade, a migalha continuará a ser necessária e por tabela a autoestima da pessoa continuará a ser metralhada: entrou por mérito? Não por cota... Triste isso, viu?...

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